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A Ubisoft, uma das maiores desenvolvedoras de games do mundo, causou polêmica ao atualizar os termos de uso de alguns de seus jogos, incluindo uma cláusula que sugere que o jogador “deve deletar” o jogo que não tiver mais suporte oficial. A decisão surpreendeu a comunidade e levantou debates sobre a posse real de jogos digitais, especialmente em tempos de dependência de serviços online e atualizações contínuas.
Neste artigo, explicamos o que está por trás dessa medida, o que ela significa para os jogadores e por que ela acendeu um alerta no mercado.
O que a Ubisoft realmente disse
Em uma atualização recente nos termos de uso da Ubisoft, foi incluído um trecho que afirma:
“Você deve apagar qualquer jogo que não esteja mais disponível ou que não tenha mais suporte, se for solicitado pela Ubisoft.“
Isso causou estranhamento, pois levanta a hipótese de que, mesmo que o jogador tenha pago por um título, ele não teria mais o direito de jogá-lo ou mantê-lo em seu computador caso a Ubisoft retire o suporte ou a licença daquele jogo.
Embora, na prática, a empresa ainda não tenha solicitado diretamente a exclusão de nenhum título instalado, a inclusão dessa cláusula abre um precedente perigoso, segundo especialistas em direitos digitais.
Por que a Ubisoft faria isso?
O motivo por trás dessa política parece estar ligado à forma como os jogos modernos funcionam:
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Muitos títulos dependem de servidores online. Sem eles, modos multiplayer ou até a campanha solo podem se tornar inacessíveis.
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A Ubisoft busca evitar que versões antigas e sem suporte continuem sendo distribuídas ou modificadas, o que poderia gerar problemas legais ou de segurança.
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Além disso, a empresa pode estar se resguardando contra o uso indevido de propriedades intelectuais antigas por meio de mods ou relançamentos não oficiais.
Mas isso é legal? O jogador não “compra” o jogo?
Na verdade, você não compra o jogo em si, mas uma licença de uso. Quando você adquire um game digital (especialmente em plataformas como Ubisoft Connect, Steam ou Epic Games), está aceitando termos que permitem à empresa revogar o acesso ou modificar as condições da licença a qualquer momento.
Ou seja, do ponto de vista legal, a Ubisoft está amparada para exigir isso — ainda que do ponto de vista ético e de preservação histórica dos games, a decisão seja bastante questionável.
Reação da comunidade e crítica da mídia
A comunidade gamer reagiu com forte crítica nas redes sociais e fóruns. Muitos jogadores acusam a Ubisoft de:
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Desrespeitar o consumidor, ao interferir no direito de jogar títulos antigos que foram comprados de forma legítima.
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Eliminar a preservação dos jogos como patrimônio cultural.
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Avançar perigosamente no modelo de “aluguel disfarçado”, onde o usuário não possui nada de fato.
Especialistas também alertam que isso pode abrir precedente para outras empresas adotarem práticas semelhantes, o que coloca em risco bibliotecas inteiras de jogos digitais adquiridos ao longo dos anos.
Casos semelhantes e o futuro dos jogos digitais
Essa situação lembra outros episódios recentes, como:
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A Sony, que quase encerrou as lojas digitais do PS3 e PS Vita.
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A Nintendo, que descontinuou o eShop do 3DS e Wii U.
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A Warner Bros., que retirou o jogo MultiVersus do ar por meses, deixando compradores sem acesso.
Tudo isso mostra como a era digital trouxe conveniência, mas também vulnerabilidade. O jogador moderno está mais dependente de servidores, DRM (gestão de direitos digitais) e da vontade das empresas do que nunca.
Conclusão
A política da Ubisoft em sugerir a “destruição” de jogos sem suporte reacende uma discussão fundamental: o que realmente significa “possuir” um jogo digital?. A medida pode ser legal, mas é vista por muitos como um desrespeito ao consumidor e um risco para a preservação da história dos videogames.
A recomendação? Fique atento aos termos de uso, valorize mídias físicas sempre que possível e acompanhe de perto os movimentos das grandes publishers. Afinal, o seu jogo de hoje pode não estar mais disponível amanhã.
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